Pegaste na caixa de recordações e quiseste arrumá-la numa gaveta. Naquelas gavetas que dizem que temos dentro de nós e que nos guardam as coisas, para podermos não lembrar que elas existiram, para conseguirmos abrir uma nova caixa e enchê-la de novos gestos, de novos sorrisos, de novos momentos, de novas recordações. Mas a gaveta não fechou... Tudo o que já lá estava antes saiu, sem que tu sequer te apercebesses. E, quando deste por ti, também tinhas nas mãos, aquelas dores, aquelas lágrimas, aquelas desilusões, aqueles sorrisos, gestos e momentos perdidos, que quiseste guardar bem longe de ti, um dia!... Saíram, para te lembrar que, se um dia passaste por aquilo, hoje, a história repete-se. A dor multiplica-se. Mas só dentro de ti, porque só tu podes sentir as consequências dos erros que tu cometeste sozinha... Uma vez mais.
Um Amor que pintaste com todas as cores que tinhas dentro de ti e também com aquelas que foste buscar aos abraços e aos momentos que agora te foram tirados com as bolas de sabão que rebentaram nas tuas mãos. Uma desilusão e uma frustração a dobrar, porque também a dor é maior, agora.
É como se te tirassem o ar. Não consegues respirar, dói-te o peito e tu gritas desesperadamente por ar puro, ou por qualquer coisa que te permita não sentires a dor e a aflição de um vazio que te sufoca. As lágrimas caiem, sem tu dares conta; já só te apercebes, quando elas já se deixaram cair nas folhas onde, supostamente, devias estar a estudar para a frequência de amanhã.
Um dia, escreveram-te Amor num sonho e tu acreditaste que este, já ninguém te poderia tirar. Acreditaste que serias capaz de levá-lo contigo, até ao dia em que iriam realizá-lo contigo. Como te prometeram. Outra vez. Prometeram-te que um Amor destes não deixa de existir, de um dia para o outro; prometeram-te que, desta vez, ia ser diferente; prometeram-te que nunca iam deixar-te, fosse de que forma fosse. Promessas. Mas roubaram-te mais um sonho. Este sonho de promessas e desejos, roubaram-to. E destruíram-no. (E tu sempre disseste que os nossos sonhos são das coisas mais importantes que temos, dentro de nós.)
E choras, e gritas, e morres um bocadinho mais. Porque achas que ninguém consegue imaginar o que é errar todos os dias, perder todos os anos e morrer todas as noites... Ou porque, simplesmente, não queres que ninguém imagine ou sinta o mesmo que tu, por ser demasiado escuro, não o desejas a ninguém.
Há coisas que não esquecemos, meu amor. Nunca. Passem dias, meses, anos... Há coisas que hão-de sempre, sempre voltar a nós, mesmo que passemos momentos sem sequer nos lembrarmos que elas, um dia, existiram. Porque há feridas que, afinal, não fecharam e amores que, afinal, não morreram. Há sonhos destruídos e esperanças que ficaram por nascer.
É de noite. Não consegues dormir, outra vez. E gritas, em silêncio, porque também a tua voz se esgotou: "Fecha-me estas caixas, Mãe, por favor!... Faz-me nascer de novo; dá-me um novo coração, um novo corpo, uma nova Alma. Porque eu deitei fora tudo o que restava deles..."
Dentro de ti, ouves dizer: "Deixa-te morrer. Deixa a dor entrar dentro de ti e habitua-te a ela. Deixa os dias passarem, sem que perguntem: "Onde está a Inês?"."
Fechas os olhos. Não para dormir, porque sabes que não consegues; mas porque eles estão demasiado pesados e cansados, para conseguirem continuar a ver a podridão em que tu te tornaste e todas as merdas que cometeste, desde que amaste e te amaram pela primeira vez...
E com essa mudança foi-se o meu amor primeiro, único. Foi-se aquele doce sorriso, a voz ternurenta, as palavras sinceras. Tudo se foi... menos esta memória.
Mas esta memória, que tanto me atormentou, está agora sorrindo, falando-me sinceramente. Pode também ser eu a racionalizar!... Mas aí tudo perde sentido e eu deixei de sentir seja o que for. Vou
em direcção à luz. Se deixei de sentir, deixei de viver. Mas há algo que cintila, há algo que me desperta com o passar do tempo:
Vivo com a memória de quanto se passou. Muitos morrem, muitos passam, muitos vivem. E muitos quero eu olhar e dizer que aproveito cada segundo, cada nano-segundo, cada ínfimo tempinho que tenho com eles. No fim, não preciso de o dizer. Faço-o e o meu sorriso é prova disso. Há quem entenda, há quem conteste , há quem não se interesse.
No fim, tenho que dar a minha maior prova de amor a mim mesmo e ser-me fiel. Não sou ou tenho outra razão qualquer mais distante a esta.
Passo a mão pelo cabelo e sinto o cansaço de quem amo. Carrego-os docemente e sem queixas. E depois alguém te diz que "o teu maior defeito é viveres sozinho no paraíso", quando eu julgava passar tostando-me no frio In(f)verno de tudo quanto pudesse existir.
Pouso um pé fora da cama porque há terras e fortunas a conquistar ou porque o céu me convida a sossegar no chão o meu peso?
muito, mas muito obrigada. *
porque há terras e fortunas a conquistar...
O verdadeiro amor não desaparece, mas podemos adormecê-lo no nosso coração, onde os sonhos vagueiam.
Vais conseguir viver com ele, viver contigo e seguir com a tua vida. E com muitos mais sorrisos do que imaginas.
E se precisares, apesar de não me conheceres... não hesites em usar o meu ombro, ou o braço inteiro
Força
muito, muito obrigada. *
Continua!
Mas faço das palavras da Luzinha as minhas ... e ... nós tamos aqui pois é ?? nao te eskeças disso nunca
Gosto te mt [*]
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